Em Juazeiro do Norte, campanha eleitoral não dispensa Padre Cícero

Guilherme Gonsalves/O POVO

Há quem diga que política e religião não se misturam, ou pelo menos não deveriam, mas a realidade eleitoral é de uma forte presença do tema nos debates eleitorais. Ainda mais em locais onde a devoção está intrinsecamente ligada a tudo o que move o município de Juazeiro do Norte, a meca do sertão nordestino.

A cidade tem como referencial e grande marco a figura de Cícero Romão Batista, o Padre Cícero, seja em nome de ruas, avenidas, lojas e na imagem em todos os locais da cidade fundada por ele.

Na marca oficial, Juazeiro do Norte utiliza-se da frase "cidade de fé e trabalho", mas é também uma cidade política.

O símbolo do maior município do Cariri é o horto, onde está a estátua de 27 metros, a terceira maior no mundo de concreto, que contempla do alto o sertão cearense. Aos pés da imagem, em época eleitoral, tradicionais fitinhas, escritos com promessas, orações e pedidos de graças dividem espaço com santinhos e adesivos de candidatos. Há concorrentes não só de Juazeiro do Norte, mas de vários lugares do Ceará e até outros estados do Nordeste.

Em oito estruturas de iluminação que rodeiam a estátua do primeiro prefeito do Município, santinhos e imagens de políticos são coladas por simpatizantes em pedidos de apoio. Há também agradecimentos pelo sucesso nas urnas e rastros de pleito anteriores ainda presentes.

De acordo com a organização do Horto, que também cuida do Museu Vivo Padre Cícero, localizado no mirante, tais manifestações políticas de apoio são proibidas, mas, quando os adesivos são retirados, logo vários aparecem no lugar.

Antônio Grigório, 53, que trabalha como fotógrafo no local há mais de 20 anos, contou como tais práticas são comuns. “Sempre eles vêm e colocam esses adesivo, escrevem lá na estátua do Padre Cícero, põem aquelas fitinha lá também”, disse.

“Principalmente quando é tempo de política é que eles colocam mesmo. Quando eles tiram, no outro ano já tá lotado, cheio de novo”, relatou.

O local é ponto estratégico para políticos locais e nacionais buscando projeção entre religiosos e devotos. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chegou a visitar a estátua de Padre Cícero em 2022, mesmo depois mostrando desconhecer a origem do religioso.

Grigório considera que a prática de candidatos estarem aos pés do “padim” durante campanhas visa apenas a eleição. “Quando começa (a campanha), vai falar que foi ao Padre Cícero. Depois que ganha, esquece do padim. Agora tá pedindo voto, vai à estrada, pega na mão da pessoa e quando chega em casa lava a mão com sabão”.

Com informações de OPOVO

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